Inocência
é um romance escrito pelo escritor brasileiro Alfredo Maria Adriano d'Escragnolle Taunay, conhecido também como
Visconde de Taunay . Descendente de pintores franceses radicados no
Brasil desde a época Joanina, o Visconde desenvolveu um grande talento na
descrição do sertão, com seus costumes e suas paisagens. Muitos referem sua
obra como apenas memorialista, devido ao tempo que viveu no sertão brasileiro
durante a Guerra do Paraguai. Entretanto, vale destacar o grande nível de
erudição do escritor e a grande capacidade de descrição e recriação.
No
romance citado de Taunay observa-se que ele não é apenas um exemplar de sua
época. Boa parte de sua composição faz referências a clássicos da literatura,
seja o amor a moldes de Tristão e Isolda, ou nas próprias notas e observações
feita pelo autor. É evidente que ele não é nenhum gênio e escreveu uma obra
totalmente única, assim como fizera Machado pouco tempo depois, mas colocou
traços peculiares dentro do regionalismo romântico.
Uma
das características que enriqueceram a obra Inocência foi a grande capacidade
do autor em demonstrar o cotidiano do sertão. Esse cenário deixava de ser o
ambiente de fuga da alma e passava a ser o palco da trama. Principalmente no
que se refere a rigidez de valores morais, nota-se uma grande capacidade de
recriação do ambiente sertanejo.
Os
valores do sertão era conflituosos com o amor e o tornou impossível. Assim,
Taunay começa a demonstrar como o ambiente pode interferir no comportamento
(determinismo geográfico) e que, mesmo sendo pouco explícito, demonstra a visão
geral da época. A partir disso também se criou a imagem dos próprios
personagens, sendo os sertanejos possuidores de modelos “a priori” de
indelicadeza e estupidez, a exemplo de Sr. Pereira.
Assim,
chegamos a conclusão da grande complexidade da obra em um simples comentário. É
claro que possamos encontrar vários outros aspectos a serem analisados e que
chamariam muito a atenção daqueles que fossem ler. Também é interessante pensar
no idílio que circunda toda trama. Inocência é um exemplo muito interessante do
romance regionalista romântico e que pode figurar tranquilamente entre as
maiores obras de sua época, juntamente com os “regionalismos” de Alencar. Uma
obra nobre de um visconde.
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